O Brasil volta a ganhar o noticiário internacional. Infelizmente.

Em todo o mundo, laboratórios e governos correm atrás de uma vacina contra o coronavírus. São mais de 200 projetos de vacinas, sendo que algumas estão na fase final de testes. A expectativa é que até o final de 2020, ou no início do próximo ano, possamos entrar na fila para a sonhada imunização. Para mim, pode ser russa, alemã, chinesa, dos EUA, cubana, brasileira e até da Coréia do Norte, se houver.

Enquanto isso, grupos de extrema direita colocam informações falsas nas redes sociais, lançando dúvidas sobre as vacinas em desenvolvimento. Publicações foram detectadas e desmentidas em 38 países. Na Europa e nos EUA, multiplicam os protestos contra as medidas de combate à pandemia, como o distanciamento social e o uso de máscaras. Agora, a moda entre as teorias da conspiração da extrema direita, é um movimento antivacinação. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já incluiu o movimento antivacina entre os dez maiores riscos à saúde global.

Para indignação de todos nós, o governo brasileiro é o único em todo o planeta a aderir oficialmente ao movimento criminoso. Na segunda-feira passada, o próprio presidente declarou que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”.

E mais grave: a secretaria de comunicação do governo pegou a fala do Bolsonaro, incluiu informações falsas, e já lançou uma campanha:

A esperança é que, como em outras campanhas desastradas lançadas pela Secom, o Ministério Público ou o Supremo venha a suspender imediatamente sua divulgação.

Como sabem todos os pais e mães, temos no Brasil um calendário de vacinação obrigatória, que vai desde o nascimento da criança (BCG e Hepatite B) até os 4 anos (2º reforço da tríplice bacteriana, 2º reforço da vacina contra poliomielite e a varicela atenuada). O Ministério da Saúde disponibiliza, há anos, 19 vacinas que previnem mais de 20 doenças, sejam para crianças, adultos ou idosos. Há inclusive um projeto aprovado na Câmara que prevê prisão para os pais que não vacinam seus filhos e ainda penaliza quem divulgar, propagar e disseminar notícias falsas sobre as vacinas.

No ano passado, o Tribunal de Justiça de SP decidiu que os pais não podem deixar de vacinar filhos por questão ideológica ou religiosa. Esse direito não tem caráter absoluto quando atinge terceiros, entendeu o Tribunal ao obrigar um casal a regularizar a vacinação do filho de três anos. Caso a decisão não fosse cumprida em até 30 dias, o Conselho Tutelar faria busca e apreensão da criança para garantir a imunização.

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Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

2 comentários em “O Brasil volta a ganhar o noticiário internacional. Infelizmente.

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