É preciso ser muito imbecil para ser contra uma vacina. Qualquer uma

O presidente Bolsonaro, discursando sobre o turismo no Brasil, comemorou a suspensão, pela Anvisa, dos testes da vacina Coronavac. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária suspendeu os testes pela ocorrência de um “evento adverso grave” envolvendo um voluntário. Já sabemos que o “evento” não tem nada a ver com a vacina: o rapaz teria se suicidado. Hoje, o Supremo Tribunal Federal solicitou informações da Anvisa sobre a suspensão.

O mais absurdo é o Bolsonaro tratar a vacina como um jogo político. Ele finge torcer pela vacina de Oxford. Digo finge, porque, na verdade, ele é contra a vacina, qualquer delas. E como o governador de São Paulo, possível concorrente do Bolsonaro em 2022, fez um acordo com uma vacina desenvolvida pelo Butantan e um laboratório chinês, ele é contra o Dória e, pela sua lógica burra, a vacina. No mês passado, ele declarou que não entende a pressa que as pessoas estão para vacinar. Ao torcer contra uma vacina, seja ela dos EUA, chinesa ou norte-coreana, ele torce contra a vida dos brasileiros. Contra a nossa vida.

No discurso citado, além das bobagens sobre vacinas, inclusive mentiras que podem motivar processos, Bolsonaro, entusiasmado com a plateia de encomenda, chegou a ameaçar guerra aos EUA. Ao citar recentes declarações do presidente eleito Joe Biden sobre a Amazônia, ele emendou: “Apenas diplomacia não dá, tem que ter pólvora”. Um jornalista lembrou que, como a Coronavac, a pólvora é também uma invenção chinesa.

O Bolsonaro tem a maior deformação do ser humano, que é a total falta de empatia. Os médicos ainda não chegaram a uma conclusão se a falta de empatia é uma questão psiquiátrica ou de caráter. Já tratamos deste assunto aqui no blogue, mas não custa insistir.

A suspeita é que a Anvisa, dirigida por um militar, estaria servindo aos interesses eleitorais do Bolsonaro. Penso que o imbróglio provocado deve ser contornado nos próximos dias, já que a pretensa atitude técnica da Agência não se sustenta. 

E, por falar no dirigente da Anvisa, o contra-almirante Antônio Barra Torres, eu não resisto: também sou contra almirante, general, coronel, major, capitão e assemelhados no governo. As Forças Armadas, como determina a Constituição, devem servir ao Estado e não a um governo.

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Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

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