bora armar a população?

Cena de “O incrível exército de Brancaleone” (1966, direção de Mario Monicelli)

beto vianna

é, presidente, tem mesmo de armar a população. com a nobre finalidade de, como defendem os libertários, defender o povo de qualquer tirania. digamos, 175 milhões de doses, perdão, fuzis, de longo alcance e mira telescópica, pra furar tudo, menos o isolamento social. e, claro, munição que dure, ao menos, um mandato presidencial. e porte perene, pessoal e transferível (nosso povo é generoso, adora compartilhar bens e serviços). pra não impactar o orçamento da união, distribuir paulatinamente os trabucos ao longo de 2021, segundo uma escala de grupos prioritários: 

1) 1 milhão de paus-de-fogo pros povos originários, vulgo indígenas (já estão há 500 anos na fila); 

2) 250 mil fuzis pros moradores de rua (leva de brinde uma marreta, útil em situações emergenciais de moradia); 

3) 35 milhões pra população preta, proporcionando segurança, tratamento digno das autoridades e tranquilidade na rua, em casa e – principalmente – no trabalho; 

4) 1 milhão de fuzis pra população trans, no mínimo dobrando a atual expectativa de vida – de 35 anos – nesse grupo; 

5) 15 milhões pros miseráveis, que vão enfim poder matar – não só morrer – de susto, de bala ou vício. 

6) 20 milhões de fuzis pra população idosa trabalhadora (ou seja, que foi ou é trabalhadora), que finalmente poderá acertar as contas com o setor produtivo e com a legislação previdenciária.

mulheres, crianças e homens (nessa ordem), das classes D e C (nessa ordem), mediante declaração de idade, sexo e renda da boca pra fora (vai lá saber se trabalha fichado, ou se é escravo, entre outras realidades possíveis) podem receber, gratuita e individualmente, os cerca de 100 milhões de fuzis restantes, de longo alcance, ao longo do ano.

brasileiros (ou imigrantes e refugiados de países em desenvolvimento) que se encaixem em mais de uma categoria, recebem, logicamente, mais de um berro, até o limite de 6 (seis). o número é arbitrário, só pra dar um toque bolsonarista na lei.

aos professores será vedado receber o benefício, para evitar que o utilizem como instrumento pedagógico, ou nas reuniões de departamento.

nós, da classe B, podemos continuar (se quisermos) a comprar nossa arminha no e-bay (e não há dúvida que vamos precisar!). e na classe A, não haverá distribuição por conflito comercial de interesses (são eles, afinal, que fabricam e fornecem – pra ser mais claro, lucram com – os insumos comprados pelo governo).

decerto que passa no congresso.

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Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

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