A mulher

(quase um conto em homenagem ao Dia Internacional da Mulher)

Arthur Vianna

Um telefonema do neto para sua vó.

– Vó, a situação tá preta aqui em casa. Tudo indica que a mamãe vai separar do papai.

– Mas o que aconteceu, meu Deus? Eles nunca brigaram, pelo menos que eu saiba. Você sabe o motivo?

– Eles não falaram nada comigo, mas parece que o papai andou aprontando. Só pode ser.

– Amanhã eu vou aí com o seu avô. Vamos conversar com a sua mãe. 

No dia seguinte, logo após a saída do marido para o trabalho, os avós chegaram. O filho já tinha ido pra aula.

– Oi, minha filha. Eu e seu pai resolvemos dar um pulinho pra conversar com você.

– Já sei, o júnior ligou.

– É, minha filha, ele ligou e temos de dar um jeito em seu casamento. Vocês têm mais de 15 anos de casados, sempre viveram bem, sem problema. Casamento é coisa séria, não pode acabar assim de repente. Tudo tem jeito. Fala pra ela, querido. Nós também já passamos por momentos parecidos.

– Eu nunca falei procê, mas eu e sua mãe quase separamos uma vez. Uma bobagem. Nem gosto de lembrar. Um dia, ao sair do escritório, acompanhei os colegas e fomos para uma boate. Foi a turma toda e eu acabei ficando com a Terezinha, que era da contabilidade. Só apareci em casa no dia seguinte, morrendo de vergonha.

– E tinha de estar envergonhado mesmo. Mas eu compreendi e aceitei as desculpas. Sei como são os homens quando resolvem sair com os colegas.

– Olha, querida, tenho a certeza que o Pedro vai reconsiderar e tudo vai acabar bem. Como aconteceu comigo em relação a sua mãe. Mesmo quando, às vezes, eu saia para um chopinho com os amigos nunca mais passei uma só noite fora de casa.

– É, seu pai, como todos os homens, tem lá suas falhas. Não é perfeito, mas nunca colocou o nosso casamento em risco. Nunca deixou de me amar. O seu Pedro pode ter cometido um erro. Acontece. Mas ele vai arrepender e não vai correr atrás de rabo de saia. Mas cabe a você reconquistar o amor de seu marido. É seu dever como esposa.

– Faça como fez a sua mãe. Tenha uma conversa séria com ele, diga que você o ama mais do que qualquer outra mulher. Não deixe as coisas saírem do controle. O Pedro é homem e muitas são as tentações, você sabe. Principalmente entre colegas de trabalho. Mas nada que pode colocar o seu casamento em risco.

– Então, minha filha, você vai conseguir superar e segurar a barra? Ela é, sempre é, apenas fogo de palha.

A filha beijou sua mãe, fez um carinho no pai e disse:

– Não, queridos, vocês não entenderam. Eu é que vou me separar do Pedro. Amo outra pessoa e vou viver com ele.

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Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

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