contra a liberdade de organização de qualquer um

beto vianna

preâmbulo (pode saltar essa parte, que o assunto é outro) 

digo sem corar que a tábata amaral nunca me enganou, porque quando eu achava a dita cuja (que passo a chamar de ms. amaral, pra eu mesmo não confundir com outra tábata, que nada tem a ver, muito antes pelo contrário, com a deputada) uma política séria, eu achava a ms. amaral séria na minha experiência (a experiência dos outros, são outros 500). essa história de ser cria do grupo lemann, por si só, nunca me convenceu de nada, ou muito ator político que eu levo a sério (a maior parte do tempo) teria que ser reclassificado pra baixo por motivos muito parecidos. enfim, desconfio de explicações sobre o comportamento político de fulano ou beltrana apelando prum xadrez geopolítico pré-montado. depois, acolhi a opinião alheia, e dos amigos petistas, em particular, considerando as ações da ms. amaral, em especial nas votações do congresso e umas declarações aqui e ali, incompatíveis com o meu levar a sério (a maior parte do tempo) um ator político. “abrir os olhos” é uma expressão ruim. nossos olhos tão sempre abertos, no momento que vemos o que vemos. 

sobre o caso (agora pode ler, que é o assunto)

o caso é que a ms. amaral participou dum programa desses que bomba nas redes, o flow podcast, em que se deu o comentadíssimo debate sobre a liberdade de organização do nazismo. com todo mundo em campanha eleitoral, a tribuna das redes, das lives aos debates, é um espaço concorrido. o flow, em especial, oferece exposição a rodo, e parece ser tocado (eu não conhecia) por uns bacaninhas idiotizados e idiotizantes, que juntam à falta de repertório as soluções fáceis (tradicionalmente oferecidas pela extrema-direita). o pouco que eu vi do programa (um pedacinho da entrevista com o moro, e um pedaço maior dessa agora) sugere isso. 

e ali estavam à mesa a ms. amaral e o mr. kim, que comungam essa persona neo-política com os entrevistadores, essa que, com ou sem repertório, faz política demonizando a política, solução tão fácil quanto impossível (e sim, eu não via assim a ms. amaral antes). 

mas mr. kim é uma velhíssima raposa política, com ou sem idade. a diferença dos comentários dele pro eu-acho-que-nazista-tem-que-ter-partido do monark, é profunda. é de essência. kim finge que defende a liberdade de organização pra quem quer que seja (ele não defende), justamente pra ser confrontado e revidar dizendo que o comunismo, enfim, a esquerda, é igualmente genocida, e, portanto, deve sofrer as mesmas sanções. é a velha armadilha dos anticomunistas, ou seja, dos autoritários. quem lembra do mbl defendendo a criminalização do m(t)st, ou a erotização infantil em obras de arte, vê agora o mbl, aliado do juiz ladrão, defendendo a criminalização dos partidos comunistas. se deu mal, é claro. até o podemos e moro querem distância, por motivos eleitorais. o desvario do monark é imbecil, perigoso e autoritário, mas dificilmente criminoso. só que a comunidade judaica, ao contrário dos pretos e dos lgbt´s, tem sempre um cacete grande preparado pra não deixar o desvario prosperar. fora isso (a punição), a bobagem monarkista nem de longe se compara à tática do kim: ou vocês proíbem a esquerdalha, ou eu solto os cachorros nazistas em vocês. 

e a ms. amaral? essa, oportunista (como eu acho agora), liberalóide (como eu acho agora), dissimulada (como eu acho agora), disse tudo isso que eu disse acima, e pro kim: partido nazista é absurdo, pois põe em risco a vida dos outros, e, ao contrário, OS PARTIDOS COMUNISTAS SÃO PARTIDOS DEMOCRATAS. foi isso o que ela disse. pode ir lá checar.

e o que a esquerda faz com a ms. amaral? 1) finge que ela não disse o que disse (vi argumentos engraçadíssimos, como “ela não foi incisiva o suficiente”, ou seja, o sim e o não dela teriam graus, talvez por ela ser liberal), 2) dizem que ela, como a márcia tílburi deveria ter se levantado e ido embora (ah, esse sempre foi o comportamento de todo herói da esquerda em um debate com a extrema direita?), 3) ou que ela deveria ter dado voz de prisão aos nazistas (perdoem, mas pra isso deixo aqui só o meu hahahahahaaha).

a esquerda repete ao infinito nas redes essa platitude meio passeio-com-maiakovski, ótima pra se gadear com a estética correta, de gente virar nazista porque se senta (e não se levanta) em uma mesa ocupada por outro ou outros nazistas. é curioso. pergunto: esse “se sentar à mesa” é literal ou metafórico? é uma mesa de bar? uma mesa de debates? 

parece que o adágio serve à filiação (ou fraternidade) institucional e comercial. os patrocinadores do flow entenderam isso, e levantaram-se da mesa. o flow entendeu isso, e puxou a cadeira do monark. e veste como uma luva na organização partidária (que era, ironicamente, justamente o tema do debate nazi-livre-ou-não). partidários de um partido que abriga um nazista, viram nazistas? o podemos, partido do marreco falsário, entendeu que sim, e parece que proibiu o kim de se sentar à mesa deles. segundo o adágio, se ms. amaral sentou-se à mesa (literal) com nazistas, ela é, ipso facto, nazista. e de que partido é a ms. amaral? em que mesa ela vai se sentar, nas eleições de 2022?

Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

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