Make love, not war

Mapa divulgado pelo O É da Coisa

Eu sou de uma geração que assistiu a dezenas de guerras e a centenas de intervenções militares em países soberanos. Quando nasci, a segunda guerra mundial tinha terminado poucos meses antes com a rendição dos nazistas. Mesmo assim, os EUA lançaram, em agosto de 1945, duas bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Foi a primeira e última vez que uma nação utilizou armas nucleares contra alvos civis.

De lá para cá, o mundo não ficou um ano sem uma guerra e sem inúmeras intervenções militares. Governantes foram trocados (alguns, por ditadores que depois foram também derrubados), países invadidos, eleições fraudadas, cidades bombardeadas, presidentes destituídos, presos torturados ou mortos. De 1950 a 2021, os EUA, diretamente ou com a chancela da Otan, participaram de 34 intervenções em países soberanos. Em alguns, mais de uma vez, como ocorreu com o Iraque, Laos, República Dominicana, Indonésia e Panamá. Em pelo menos dois, fracassaram: Cuba e Vietnam. 

Na ditadura militar de 1964, os EUA não chegaram a desembarcar sua tropa, mas estavam prontos. Com a chamada Operação Brother Sam, o governo norte-americano deslocou sua frota no Caribe, liderada pelo porta-aviões Forrestal, para a costa brasileira. 

O escritor moçambicano Mia Couto escreveu, em seu livro O Último Voo do Flamingo: “A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda”.

Na década de 1960, surgiu um grito de guerra contra o furor belicista dos EUA. Surgiram inúmeros movimentos, em especial contra o envolvimento dos EUA no Vietnam. Uma guerra que durou quase vinte anos e matou cerca de 2 milhões de civis vietnamitas e 58 mil soldados norte-americanos. 

O “faça amor, não faça a guerra” tomou conta da juventude em todo o mundo. 

Tinha o Beto, meu filho, apenas 2 meses, quando cerca de 400 mil jovens de todas as idades participaram do Festival de Woodstock pela Paz, realizado em 1969 numa fazenda de gado leiteiro dos EUA. O repúdio à guerra tomou conta de nossa geração. Passeatas e manifestações ocorreram em diversos países, algumas com forte repressão militar.

Voltando um pouco no tempo, assistimos, logo após o término da segunda guerra mundial, a criação de duas organizações militares. Em Washington, a fundação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (1949). A Otan nasceu com o objetivo de, capitaneada pelos EUA, inibir o avanço do bloco socialista no continente europeu e oferecer ajuda militar a todos os seus países membros. Anos depois, em 1955, a União Soviética lançou o Pacto de Varsóvia, também conhecido como Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. Seu objetivo, uma reação à criação da Otan pelos EUA e de apoio militar a seus 8 países membros. O Pacto foi criado logo após a então Alemanha Ocidental aderir à Otan.

Essas duas alianças militares tomaram conta do noticiário político, militar e ideológico durante todo o período da chamada Guerra Fria (1947/1989). O nome ficou por conta de não haver uma guerra aberta entre as duas grandes potências nucleares.

Eu na queda do Muro de Berlim

Com a queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução da União Soviética (1991), o Pacto de Varsóvia foi extinto. Findada a Guerra Fria, o mundo imaginava, então, que, da mesma forma, também seria extinta a Otan. Pelo contrário. Não só continuou, como foi ampliada e continua a ser ofertada.

Entre os atuais 30 associados da Otan, os EUA já incluíram 14 países que pertenciam ao Pacto de Varsóvia ou à União Soviética.

O que aconteceu ontem para entender o que acontece hoje.

Em outubro de 1962, um avião espião norte-americano, que fotografava Cuba todos os dias, descobriu uma base de mísseis na ilha. Acontece que a distância de Cuba aos EUA é de apenas 2.443 km e um míssil poderia atingir Washington em apenas 13 minutos. Ou seja, os EUA não poderiam permitir que os russos instalassem uma base tão perto de suas fronteiras. O então presidente dos EUA, John Kennedy, promoveu um bloqueio contra Cuba e negociou com o dirigente soviético, Nikita Kruschev, a retirada dos mísseis. Quando as conversações estavam avançadas, um avião espião (U-2) dos EUA entrou no espaço aéreo cubano e foi derrubado. Para o mundo, tudo indicava que seria deflagrada uma guerra nuclear entre a União Soviética e os EUA. No dia seguinte, nas negociações, os russos exigiram, para retirar a base em Cuba, que os norte-americanos desativassem uma base, também com mísseis balísticos nucleares, na Turquia, que fica próxima dos países do leste europeu. Finalmente, foi selado o acordo entre as duas potências e evitada uma possível guerra nuclear. 

E, assim, chegamos aos dias de hoje. Amanhã, não sabemos.

остановка Путин – Stop Biden

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Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

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