A III Guerra Mundial já começou

“Guerra e Paz-, de Candido Portinari: um presente do Brasil para a ONU

Uma guerra mundial pode começar de várias maneiras. Para a segunda guerra mundial, o estopim foi a invasão da Polônia pela Alemanha de Hitler. Mesmo assim, depois da Polônia, a Alemanha invadiu outros 11 países. Já a primeira guerra mundial começou com o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do império Austro-Húngaro. 

E aqui cabe uma pergunta: quantos países em luta são necessários para considerar mundial uma guerra? Na primeira grande guerra mundial, 17 países estiveram diretamente envolvidos. Já na segunda (1939-1945), quase todos os países do mundo tiveram maior ou menor participação. O número pode chegar a 175 países, além das oito nações que se estiveram neutras: Portugal, Espanha (cujo ditador Franco apoiava Hitler), Andorra, Suíça, Liechtenstein, Suécia, Irlanda e o Vaticano.

Se o critério é o grande número de participantes, neste exato momento uma guerra mundial está sendo travada no Médio Oriente. O motivo oficial para uma guerra que envolve 19 países foi a denúncia de corrupção no governo sírio dirigido por Bashar al-Assad. Nada menos do que 13 países lançaram ataques na Síria: EUA, Rússia, Reino Unido, Canadá, França, Austrália, Holanda, Irã, Turquia, Arábia Saudita, Israel, Bahrein e Jordânia. Mas nem todos com o mesmo motivo. Alguns, como os EUA e a Rússia, estão de olho na imensa reserva de petróleo da Síria.

Atualmente, a diferença entre guerras mundiais está no poder de fogo de seus participantes e na possibilidade da utilização de armas apocalípticas, como as bombas nucleares. Para os cientistas, qualquer uma das bombas nucleares existentes poderia levantar uma nuvem de poeira que iria cobrir todo o planeta durante um ano e, ao bloquear a luz solar, a temperatura da Terra poderia atingir -40º C. 

Vamos aos fatos mais recentes. Há três meses, a Rússia anunciou a invasão da Ucrânia, com o objetivo declarado de garantir que o país vizinho não faça parte da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Criada em 1949, sob inspiração dos EUA, o organismo tinha como principal meta barrar a influência socialista pelo mundo. Após a queda da União Soviética, a OTAN se expandiu entre os países que faziam parte da URSS. Nada menos do que 13 países da região de influência da Rússia entraram na OTAN. Entre eles, três eram ex-repúblicas da União Soviética. Com o apoio dos EUA, o governo da Ucrânia manifestou seu interesse em entrar na OTAN. Foi a gota d’água para a invasão do país pela Rússia.

Em poucos dias, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução condenando a ofensiva militar da Rússia à Ucrânia. O documento recebeu 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções. O Brasil votou a favor da resolução.

Embora tenha ocorrido – e esperamos que volte a ocorrer – algumas poucas reuniões para o restabelecimento da paz, o que assistimos é um aumento exponencial de envio de armas para o cenário da guerra. Mais de 40 bilhões de dólares em armamentos foram enviados diretamente pelos EUA e outros bilhões de euros enviados pelos seus parceiros europeus. Entre eles, Portugal acaba de enviar 250 milhões de euros em material de guerra. As declarações do secretário-geral da OTAN e do presidente dos EUA, infelizmente, não são pela paz. Pelo contrário, são claramente pela continuidade da guerra. 

Não satisfeito, o presidente ucraniano declarou, em discurso por videoconferência durante o Fórum Econômico de Davos, que “a Ucrânia precisa de todas as armas que pedimos e não apenas das que foram fornecidas”. E ainda pediu o fim de todo comércio com a Rússia. Pelo jeito, ele acredita que vai ser atendido, pois, no mês passado, foi aplaudido de pé em 19 parlamentos. Entre eles:  Alemanha, Reino Unido, Espanha, Holanda, Israel, Itália, Portugal, EUA e no próprio Parlamento Europeu.

A participação dos EUA em guerras mundo afora comprova o seu interesse econômico e sua postura bélica. Cerca de 70% de todo o armamento utilizado em guerras e levantes armados é fabricado nos EUA. Não é por um acaso que o país participou, desde o fim da segunda guerra, de quatro guerras contra países (Coréia, Vietnã, Afeganistão e Iraque) e em 81 intervenções armadas para mudança de regime e deposição de governantes.

O que assistimos hoje é uma declaração de guerra dos EUA à Rússia. Não só com as armas “made in usa”, como nos bloqueios das reservas russas nos EUA e na Europa. É a chamada guerra não declarada. Mas deflagrada. 

Mesmo com mais de seis milhões de refugiados e alguns milhares de mortos só o cenário de guerra é na Ucrânia. Alias, desde sua guerra civil, o cenário de guerra dos EUA nunca é em seu território. Lembrando que o ataque em 1941 dos japoneses a um “território” dos EUA aconteceu na Ilha de Oahu, localizada no Havaí. Em distância área, Pearl Harbor fica a 7.779 km de Washington. Vale lembrar que, das 12.700 bombas nucleares existentes em todo o mundo, 90% pertencem a dois países: Rússia (6 mil) e EUA (5.500). A China possui cerca de 350 ogivas. E não são mais bombas atômicas como aquelas que os EUA jogaram em Hiroshima e Nagasaki. São 50 vezes mais potentes. Ou seja, basta uma.

A guerra na Ucrânia não começou no dia de sua invasão pela Rússia. Há mais de um ano, os EUA prometeram ajudar o governo ucraniano para o seu ingresso na OTAN. Na época, a Rússia manifestou que não aceitaria e lembrou que a Ucrânia assinou, como outros países que tem fronteira com a Rússia, um tratado de neutralidade. Mas o interesse de receber os benefícios oferecidos pela OTAN, via EUA, falaram mais alto e a Ucrânia decidiu peitar a Rússia.

Para colocar mais fogo na fogueira, os EUA decidiram apoiar os governos da Suécia e da Finlândia a ingressarem no Tratado do Atlântico Norte. Os dois países, por motivos diferentes, sempre adotaram uma posição de neutralidade.

Eleito pelo quinto ano seguido como o país mais feliz do mundo, a população finlandesa sempre apoiou sua posição de neutralidade. Com a invasão da Rússia na Ucrânia e declarada pressão dos EUA, a população tende, agora, a aprovar sua adesão à OTAN. A Finlândia tem uma fronteira com a Rússia de 1.340 km. Já a Suécia foi eleita recentemente como o sétimo país mais feliz do mundo, logo atrás do Luxemburgo. O país mantinha uma posição de neutralidade desde a primeira guerra. Entre os critérios para eleger os países mais felizes está a expectativa de vida saudável, PIB elevado, baixa corrupção e confiança nos mecanismos sociais. Tudo pode mudar para estas duas nações. Nesta semana, o presidente dos EUA recebeu na Casa Branca a primeira-ministra da Suécia e o presidente da Finlândia. Os dois foram à Washington confirmar a decisão de participar da OTAN. 

O prenúncio de uma terceira guerra mundial não está apenas nos atores desta guerra que acontece em solo ucraniano após ser invadido pela Rússia. Vai muita mais além. E é aí que mora o perigo.

Uma pequena nação insular, localizada a 180 km da China e com apenas 36 mil km2, é conhecida pelo nome de Taiwan. Ou Ilha Formosa, nome dado pelos navegadores portugueses em 1542. Formosa ou Taiwan, segundo os chineses, é uma província da República Popular da China. Com apoio militar e econômico dos EUA, Taiwan luta para ser reconhecido como um país soberano. No entanto, não é reconhecido nem pela ONU nem pela maioria dos países. Dos 193 países-membros da ONU, Taiwan é reconhecido por apenas 21 estados membros. O Brasil está entre os países que não reconhecem sua soberania. Curiosamente, mas dentro da lógica capitalista, os EUA cortaram relações diplomáticas com Taiwan em 1979, mas vendem armas e têm apoio do Congresso para fornecer ajuda militar para a ilha.

Em recente visita à Ásia, o presidente dos EUA declarou, ao lado do premiê do Japão, o compromisso de pegar em armas no caso de uma invasão da China em Taiwan. Ele ainda mandou um recado aos chineses que a punição de seu país e seus aliados à Rússia poderia acontecer com a China caso decida invadir Taiwan. A diplomacia dos EUA tentou fazer uma outra leitura da declaração de seu presidente. Mas, para a China, ficou o dito pelo dito e ela reagiu com força, advertindo Washington a “não brincar com fogo”. E ainda lembrou, em tom de ameaça, que Taiwan não é Ucrânia. E nem a China é a Rússia, acrescento eu. O presidente chinês já declarou, em várias oportunidades, que a reunificação da ilha com a China vai acontecer. Só não falou quando.

Com um PIB de 17.458 bilhões de dólares, a China tem hoje a segunda maior economia do mundo, logo atrás dos EUA, que tem um PIB de US 22.998 bilhões. Segundo o Centro Japonês de Pesquisa Econômica, a China deverá ser a maior economia do mundo em 2.033.

E aqui fico eu. Mas a história continua a ser escrita e o futuro rascunhado.

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Publicado por blogdocondearthur

Publicitário, jornalista e escritor

3 comentários em “A III Guerra Mundial já começou

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