Coronavírus

Dica de leitura

Uma dica de leitura no El Pais, Brasil:

Os 100.000 mortos dos Estados Unidos: assim fracassou o país mais poderoso do mundo

https://brasil.elpais.com/internacional/2020-05-28/os-100000-mortos-dos-estados-unidos-assim-fracassou-o-pais-mais-poderoso-do-mundo.html

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Vietnã vence mais uma guerra

O Vietnã, apesar de compartilhar mais de mil quilômetros de fronteira com a China, conseguiu conter o avanço do coronavírus. Até hoje, 2 de maio, não teve uma só vítima fatal da pandemia.

O país asiático, com uma população de 98 milhões de pessoas, se preparou antes mesmo de registrar o seu primeiro caso de infecção. O governo identificou que o coronavírus chegou no país em 13 de janeiro por intermédio de 2 cidadãos de Wuhan que viajaram pelo país. Assim que foram hospitalizados, o governo criou o Comité Nacional de Prevenção de Epidemias, no mesmo dia que a Organização Mundial de Saúde declarou o surto como Emergência em Saúde Pública de Interesse Internacional. 

Em 1º de fevereiro, quando o país tinha apenas 6 casos confirmados da doença, o Vietnã entrou em contato com a OMS e habilitou 700 hospitais em todo o país para atender pacientes com o novo coronavírus.

Ainda em fevereiro, foi imposta uma quarentena de 21 dias para 10 mil pessoas que haviam estado em Wuhan, na China. Em 10 de março, um dia antes da OMS declarar o coronavírus como uma pandemia global, o governo lançou um aplicativo móvel de declaração de saúde para saber qual a situação da população. Com os dados, o governo anunciou uma quarentena obrigatória em todo o país. As pessoas só poderiam sair de casa para atividades essenciais, como farmácia e supermercado. Da mesma forma, todo aquele que desembarcava no país era obrigado a ficar 14 dias em quarentena. Em seguida, cancelou todos os voos estrangeiros.

Inúmeras campanhas informativas foram lançadas pelo governo, incluindo uma música no Youtube explicando os cuidados no enfretamento da pandemia. 

O país tem prestado assistência aos países menos desenvolvidos do sudeste asiático. E ainda doou kits de testes e máscaras para outros países, como Camboja, Laos, EUA, Inglaterra e Espanha. Com seus principais parceiros – China, Japão e Coreia do Sul – estabeleceu um fundo conjunto para combater a pandemia.

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Como a Nova Zelândia está vencendo o coronavírus

National Geographic – Publicado em 30 de abril de 2020 – Traduzido com auxílio do Google

A Nova Zelândia ‘eliminou efetivamente’ o coronavírus. Aqui está o que eles fizeram certo. A nação insular escolheu bloqueios rigorosos e austeridade. Qual é o próximo?

Em 2 de maio de 2020: 

População: 5 milhões

Número de doentes: 1,485

Mortos: 20

Recuperados: 1,263

Um plano para o sucesso

Se há um ponto positivo na resposta global à pandemia, é certamente a Nova Zelândia. Embora os governos do mundo inteiro tenham vacilado sobre como responder e os casos subsequentes do vírus dispararam, a Nova Zelândia estabeleceu um exemplo inflexível e orientado pela ciência. Embora o país não tenha proibido a viagem da China até 3 de fevereiro (um dia após os Estados Unidos) e sua trajetória de novos casos parecesse descontrolada em meados de março, medidas de austeridade aparentemente trouxeram à tona o COVID-19.

O país iniciou quarentenas obrigatórias para todos os visitantes em 15 de março, uma das políticas mais rígidas do mundo na época, embora houvesse apenas seis casos em todo o país. Apenas 10 dias depois, instituiu um bloqueio completo em todo o país, incluindo uma moratória nas viagens domésticas. As restrições de nível 4 significavam que supermercados, farmácias, hospitais e postos de gasolina eram o único comércio permitido; a viagem do veículo era restrita; e a interação social era limitada às famílias.

“Devemos lutar duro e cedo”, disse a primeira-ministra Jacinda Ardern em comunicado ao país em 14 de março.

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Do Frei Betto:

POR QUE LAMENTAS?

      Por que lamentas estar isolado dentro de casa? Já pensaste naqueles que nem casa têm e são obrigados a conviver com o risco iminente da infecção? Ou será que o teu coração é um cômodo entupido de ego, sem lugar para mais ninguém?

       Por que lamentas se, agora, vives em uma prisão de luxo, com liberdade para estabelecer teus horários e escolher a comida que te agrada? Pensa naqueles que enfrentam longas filas para receber uma quentinha da caridade alheia. 

       Por que lamentas ao se ver obrigado a cancelar a festa de aniversário ou casamento, e arcar com o prejuízo que não será ressarcido? O que preferirias, a festa com o coronavírus invisível circulando entre teus convidados ou preservar a tua e outras vidas para festas vindouras?

       Por que lamentas não poder, agora, fazer a viagem sonhada e programada, e se ver forçado a ficar recolhido em teu espaço doméstico? Ou seria melhor uma passagem sem volta para a morte?

       Por que lamentas não poder sair à rua, encontrar amigos e voltar a tua rotina de trabalho e lazer? Ainda podes conversar por telefone, talvez trabalhar desde casa e improvisar teus métodos de ginástica.

       Por que lamentas ser idoso e figurar entre os mais vulneráveis? Alguma vez te passou pela cabeça que o melhor da velhice é não haver morrido jovem? Já que chegastes a esta idade, cuida de preservar a tua vida por mais alguns anos e, quem sabe, décadas.

       Por que lamentas ser obrigado a fechar teu comércio, teu escritório, ameaçado de ter tua renda reduzida? Já imaginastes se não fossem tomadas medidas restritivas e a pandemia se multiplicasse a ponto de atingir a ti e a teus entes queridos?

       Por que lamentas o que te soa como perda ou privação? Nunca pensastes nas pessoas em situação de guerra, nos refugiados, nos que não têm acesso a nenhum sistema de saúde? Não contabilizes as tuas perdas, contabiliza os teus ganhos, como estar vivo, gozar de boa saúde e desfrutar do convívio com tua família.

       Por que lamentas não suportar a solidão que te obriga a um encontro mais íntimo contigo mesmo? Não é hora de dar um balanço na própria vida, reavaliar os valores abraçados e reconsiderar convicções arraigadas? Não é este o momento de reinventar-te?

       Não lamentes! Tens um teto, o alimento garantido e boa saúde. És um privilegiado. Lamenta, sim, por aqueles que nada disso possuem. Não por escolha, e sim por serem vítimas de um sistema econômico seletivo e excludente, no qual os interesses do capital privado pairam acima dos direitos coletivos. 

       Não te afogues em teu lamento. Extraia dele forças para mudar o que consideras injusto. E cuida-te! Não te julgues imortal. O teu e o meu dia  chegarão. Mas não apressemos os desígnios de Deus. Na vida nada tem maior valor do que a própria vida. 

       Guarda teu pessimismo para dias melhores. E repete a “Prece” de Fernando Pessoa: “Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.”

Frei Betto é escritor, autor de “O diabo na corte – leitura crítica do Brasil atual” (Cortez), entre outros livros.

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