O dia dos mascarados

Uma coisa que me chamou atenção quando estive em Tóquio no final da década de 1980, foi encontrar, nas grandes lojas e no metrô, pessoas com máscaras. Passou pela minha cabeça que os japoneses utilizavam máscaras por causa da poluição. Sempre ouvi dizer que a poluição em Tóquio era elevada. E assim, nada mais natural do que a utilização de proteção. Ledo engano. Pra começar, a poluição do ar na capital japonesa está controlada a níveis relativamente baixos.

Acontece que, neste país e em outras nações asiáticas como a China, os habitantes das grandes metrópoles, quando constipados, cobrem a boca e o nariz para evitar a propagação de gripes e resfriados. Um sinal de respeito pelos outros e, claro, também de autoproteção.

Abro um parêntese para recordar, com alegria, A Noite dos Mascarados, música do Chico Buarque lançada em 1966:

Quem é você, diga logo/Que eu quero saber o seu jogo/Que eu quero morrer no seu bloco/Que eu quero me arder no seu fogo

Um dado curioso desta música é que ela foi composta meio às pressas pelo Chico para substituir uma faixa proibida pela ditadura militar. A música proibida era “Tamandaré”. A marinha brasileira interpretou a letra como um desrespeito a seu patrono. Entre outros versos: 

Pois é, Tamandaré/A maré não tá boa/Vai virar a canoa/E este mar não dá pé, Tamandaré

Hoje, em busca de um vinho chileno que está em promoção no supermercado perto de casa, cruzei com algumas poucas dezenas de pessoas. Quase todas de máscaras. Uma delas me chamou atenção, pois era igual àquelas utilizadas no velho oeste. Gostei da ideia e vou providenciar uma com um lenço comemorativo da Comuna de Paris (1871) que ganhei da Anna, em Alter do Chão. A Comuna de Paris foi a primeira tentativa da história de criação e implantação de um governo socialista. Durou apenas 73 dias, mas foi tão importante que Lenin escreveu na época da revolução bolchevique: “Nós somos apenas anões pousados nos ombros daqueles gigantes”. A metáfora é antiga, bem sei. Ela foi utilizada por muitos intelectuais durante vários séculos como, por exemplo, pelo judeu Isaías de Tranc em 1180. 

No Brasil, como em outros países, as máscaras são recomendadas ou obrigatórias praticamente em todas as capitais, principalmente nos estabelecimentos comerciais e no transporte público.

No entanto, e para nossa surpresa e espanto, matérias em redes sociais criticam a medida. Para estas fakes news, o coronavírus não é o bicho que estão pintando. Dizem até que nos hospitais têm leitos sobrando e respiradores de mais.

O tempo dirá.

Dica pra durante e depois do coronavírus

A dica serve pra qualquer vivente. Mas cai como luvas para quem, como eu e o meu irmão Ike, mora sozinho.

Na maioria dos celulares (todos?) tem uma tecla denominada Emergência, Contato de Emergência ou SOS de Emergência. Já reparou? Pois é. No meu funciona assim: se eu apertar o botão de ligar o celular 5 vezes, ele disca automaticamente para quem eu coloquei para me acudir em caso de, claro, emergência.

Se não encontrar o expediente no seu celular, pergunte ao google. Ele sabe, acabei de conferir.

Por que um blog?

Há alguns anos, quando morava em Brasília, resolvi publicar um blog. Foi bom. Durante quase um ano mantive o blog ativo. E daí veio a sugestão de amigos. Porquê não publicar um livro com os seus textos. Dito e feito. Assim nasceu Muito Bem Disse o Conde e outros escritos. O Beto fez a capa, Ana Emília a revisão e a Mazza editou. O lançamento foi na Travessa, com a presença de muitos e queridos amigos.

Outro dia, o Ivan falou: e ai, Arthur, por que você não aproveita que está mais em casa e escreve um blog. Uai, Van, a ideia é boa. Passaram-se dias e nada de colocar a mão na massa. Mas, hoje, decidi pesquisar como é que é mesmo colocar um blog na praça. Entre as muitas opções, procurei o WordPress. Não sei o motivo. Ou então lembrei de alguém que utilizou o dito aplicativo. E cá estamos.

O Blog do Conde vai ter de tudo. Pra dizer a verdade, eu nem sei como vai ficar. Mas o negócio é tocar o barco, já que navegar é preciso (no sentido de precisar e não na acepção utilizada pelo general Pompeu, Petrarca e Fernando Pessoa). E mais ainda quando encontro num texto da Universidade de Coimbra que “navegar é sonhar, ousar, planejar, arriscar, empreender e até realizar porque aí, navegar é viver”.

Assim, fica o dito pelo dito. E como demais é demasiado, vou encerrando esta meia apresentação.